01 · O ponto de partida
O dinheiro mais caro do mundo
O Brasil opera uma Selic de referência de 14,25%, tendo estado recentemente em 15% — o maior patamar desde 2006. É cerca de três vezes a taxa de juros dos Estados Unidos e um dos maiores juros reais positivos do planeta.1 Para a maioria dos investidores, juros punitivos são um alerta. Para uma gestora de crédito ilíquido, são toda a oportunidade: quando o dinheiro livre de risco é tão caro, os spreads dos ativos difíceis de precificar e lentos de vender se abrem muito além do que qualquer mercado desenvolvido oferece.
Os juros altos também têm um efeito estrutural. Empurram empresas e famílias para a inadimplência, forçam bancos a se desfazer de carteiras e transformam crédito inadimplente e em recuperação numa oferta constante e crescente — exatamente a matéria-prima que uma gestora de ativos ilíquidos analisa e precifica.3
Spreads largos não são um defeito do mercado brasileiro. São a recompensa por organizar o que ninguém mais organiza — e é no ilíquido que eles se concentram.
02 · O mercado
Grande demais para ignorar. Complexo demais para organizar na mão
O sistema financeiro brasileiro carrega mais de R$7 trilhões em crédito.2 Abaixo dele há um reservatório profundo de ativos ilíquidos e intensivos em documentos. O mercado de cessão de créditos inadimplentes chegou a cerca de R$30 bilhões em 2024, e a Deloitte projeta que as cessões crescerão 73%, para R$52,3 bilhões em 2026.2 Os precatórios — dívidas do poder público reconhecidas em juízo — são estimados em até US$100 bilhões em aberto, com pagamentos anuais que devem superar R$120 bilhões.45
E essas são apenas as camadas visíveis. A primeira tese da Venturial — crédito de reclamações trabalhistas paralisadas — repousa sobre um valor estimado de ~R$900 bilhões, dos quais menos de 1% está organizado em formato investível. Os ativos existem; a infraestrutura para precificá-los e movimentá-los, não.
R$52,3 bi
Cessões de NPL projetadas para 2026
US$100 bi
Estimativa de precatórios em aberto (dívida do poder público)
~R$900 bi
Crédito de reclamações trabalhistas paralisadas · <1% organizado
03 · A ineficiência
A fricção é a barreira de entrada
O que mantém esse capital preso é justamente o que o torna valioso. Esses ativos vivem em autos processuais, PDFs e históricos de casos, espalhados por milhares de jurisdições e precificados caso a caso. As gestoras tradicionais enfrentam essa complexidade com gente — caro, lento e impossível de escalar.
Uma gestora agêntica enfrenta com um sistema. Agentes inteligentes leem, precificam e fazem a diligência de documentos por uma fração do custo e um múltiplo da velocidade — a Venturial faz a triagem de um caso por cerca de R$9 ante aproximadamente R$400 terceirizado, algo 44× mais barato — enquanto o julgamento humano decide cada ponto crítico. Num mercado definido pela fricção documental, quem industrializa a leitura vence a precificação.
04 · Os trilhos
Um mercado de capitais profundo, regulado e em rápida maturação
Isto não é um experimento de fronteira. O Brasil está entre os dez maiores mercados de fundos do mundo, com patrimônio sob gestão de cerca de €1,6 trilhão e patrimônio líquido da indústria de R$10,8 trilhões.67 Os alternativos já respondem por 21% do mercado de fundos, ante 13% em 2020,8 e o veículo de direitos creditórios feito sob medida para ativos ilíquidos — o FIDC — cresceu cerca de 10% no primeiro semestre de 2025, para R$687 bilhões.7
A regulação se modernizou junto. A Resolução CVM 175 reconstruiu o arcabouço de fundos, e estruturas como o FIDC dão à gestora um invólucro comprovado e supervisionado para deter ativos vinculados a processos e em recuperação. Os trilhos para organizar o crédito ilíquido já existem — só esperam um operador construído para usá-los em escala.
Capture o spread enquanto ele é largo. Torne-se a infraestrutura à medida que ele comprime.
05 · A janela de oportunidade
Por que agora
Os juros estão elevados, mas a expectativa é de queda nos próximos anos.1 É essa a janela de oportunidade. Os spreads de hoje são extraordinários e a oferta atual de crédito inadimplente e paralisado está em expansão. Uma gestora que organiza esses mercados agora captura retornos fora da curva enquanto o hiato é largo — e, ao fazê-lo, constrói os dados de precificação, a rede de originação e o sistema operacional que se tornam a infraestrutura do mercado quando os retornos se normalizam.
O Brasil é onde o modelo se prova — a versão mais difícil e de maior retorno de um problema que se repete em toda grande economia: ações de danos pessoais e créditos tributários nos Estados Unidos, crédito ligado a seguros no Reino Unido. O mesmo núcleo agêntico, apontado para o próximo nicho ilíquido. O Brasil é a prova. O mundo é o prêmio.
Leia a tese completa com a gente.
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